segunda-feira, 17 de setembro de 2012

A rejeição

Eita segundona preguiçosa! Tô cansadaça! Mas, o que importa é que SPH eu estou conseguindo me descobrir e me entender.
Fui ao retiro para dar um importante passo na minha recuperação. Consegui fazer o meu inventário e,em meio ao silêncio da alma e muitas lágrimas derramadas consegui enfim chegar  à raiz do meu problema. Percebi que os meus comportamentos sempre seguiam um padrão e todos eles eram sempre tentando evitar algo: a rejeição!
Desde pequena sempre me senti muito rejeitada pelo fato dos meus irmãos não terem me aceitado, querendo ou não, a filha caçula sempre toma um pouco mais da atenção dos pais. E pelo fato de ter sido a caçulinha meus irmãos nunca me aceitaram.
Ao escrever a minha história, desde a minha infância, pude notar que sempre tive muito medo de ser rejeitada e por isso fazia e aceitava coisas que, de alguma forma, não me faziam sentir essa rejeição. Esse ciclo repetiu-se durante toda a minha vida, inclusive no meu relacionamento conjugal. Aceitei muitas coisas, fiz outras que não tinha vontade de fazer e tudo por causa de que?! Da maldita rejeição! Tá aí, esse é o meu problema! O meu problema não é o meu marido, não são as pessoas que me cercam, não são aqueles que dizem ou não me amar, não são as coisas que dão errado. O problema está em mim! E por isso, o foco também tem que ser EU. Como a gente demora em aprender as coisas né?!...Como a gente demora em perceber os nossos comportamentos repetitivos e,  finalmente como demoramos para olhar para dentro de nós! Mas, faz parte do processo.
Não descobri isso como em um passe de mágica, precisei de uma longa caminhada para chegar até aqui. Não imaginam o quanto eu ansiava por me descobrir e entender como tudo começou; eu já sabia que eu tinha problema, mas, não sabia exatamente o quê. E agora estou com uma sensação de boa. Aquela sensação de já conhecer o problema e poder quebrar os padrões que me afundavam até aqui. Que Deus me dê força SPH!
E quanto ao meu esposo, nos vimos ontem.
Quando ele me ligou na sexta-feira, disse a ele que iria ao Retiro e só voltaria no sábado. Ele disse que tudo bem e ficou até feliz por mais um passo dado em minha recuperação. Lá no retiro, nós ficamos incomunicáveis. Sem relógios, sem celulares, computadores ou qualquer coisa que nos fizessem lembrar do mundo exterior. Ficamos em um silêncio total, apenas sentindo o nosso coração e dedicando todo o nosso tempo àquele momento tão especial que era a nossa descoberta. Assim escrevi o meu inventário: Eu e eu mesma! Tive uma madrinha que depois de escrito me aconselhou e me disse coisas que me fizeram refletir:
Quando conversamos sobre a parte do meu marido. Ela falou que não me aconselha a desistir dele, afinal, ele sempre será o meu marido e se eu desistir dele é como se eu estivesse dizendo para Deus que é impossível. Só que para Deus, nada é impossível e nós temos bons exemplos de pessoas em nosso grupo que conseguiram vencer as drogas, inclusive o crack, e não perder a família. Aí eu disse a ela que estava cansada e tão ou mais doente que ele e por isso não consegui mais viver aquilo. Ela me entendeu e disse que em outro momento quando eu estiver fortalecida, podemos nos encontrar e conversarmos melhor sobre isso.
Na hora que ela falou isso para mim, me deu vontade de falar para ela: É porque não é você que tem um marido vivendo nessa situação! Mas, por outro lado pensei que, até certo ponto, ela também tinha razão: Para Deus nada é impossível. Mas, não sou eu  que vou plantar no coração do meu esposo a vontade dele se recuperar. Se alguém pode fazer isso, esse alguém é somente ele e Deus. Ele precisa se encontrar, assim como eu estou me encontrando. E para isso, a minha única contribuição é entrega-lo nas mãos do Senhor.

Conheço sim muitas histórias de sucesso: O líder desse ministério foi usuário de drogas, acho que por mais de 10 anos, consumia o crack todos os dias. Roubou, mentiu, adulterou e só entrou em recuperação mesmo quando a sua mulher o colocou para fora de casa. Aí sim ele foi procurar um tratamento. Nunca foi internado, apenas teve força de vontade e se rendeu por inteiro ao seu Poder Superior, nesse programa que fazemos em nossa igreja. Ele já está limpo há 5 anos, graças a Deus e SPH; restaurou seu casamento e sua paternidade; sua esposa diz orgulhosa que hoje eles vivem o melhor momento de suas  vidas e ele brincando ainda fala: Calma mulher, ainda tenho muito o que melhorar.
Percebo que ele só entrou em recuperação porque a dor de perder a sua família foi muito maior que toda a euforia que a droga lhe causava. Tenho a certeza de que se eu voltar para o meu marido, ele fará de tudo para realmente parar de usar, pois percebe o quanto ele perdeu devido ao uso. Mas, isso para mim ainda não é o suficiente. Estou cansada de promessas e quero atitudes. Somente depois disso poderei tomar uma decisão definitiva. Não, eu ainda NÃO desisti dele e sei que ele é capaz de sair dessa sim, mas, se ele quiser. Estou em um momento esquisito, que acho que todas passam. O que vale mais: A razão ou a emoção?
A minha razão diz: Cai fora enquanto é tempo! E a minha emoção diz: Dá mais uma chance para ele!
Busco a serenidade para que eu possa sim tomar a melhor decisão para a MINHA vida. Sem culpas ou ressentimentos.
Ele não está nada bem e ver o seu estado de saúde piorar a cada dia mais me deixa muito triste. Não tá conseguindo conter a fissura. Quando ele me viu, me agarrou e chorando  pediu para que pelo amor de Deus, eu não o deixasse naquele momento, porque ele não conseguiria se controlar. Fica comigo! Por favor, não vá embora, eu não tô conseguindo me controlar!
Disse a ele que precisava ficar bem sem mim, porque eu não poderia estar a todo o tempo com ele e essa fissura era somente ele quem poderia conter. Resumindo os meus sentimentos: TRISTEZA! Nunca imaginei vê-lo nessa situação. Quando ele usava cocaína a fissura dele não era tão forte assim, aliás, eu nem percebia. Quando dava conta ele já tinha recaído. Agora com o crack, ele fica transformado: Sua feição muda, começa a suar, tremer, suas pernas balançam e o choro vem fácil. Nesse momento, oramos juntos e pedimos forças ao Senhor. Ele chorou e eu me segurei.
Saímos juntos e passeamos com os cachorros, lavamos o carro e tomamos açaí. Essas coisas o ajudaram a espairecer. Vim embora, mesmo com os seus protestos pedindo para que eu ficasse. Deixei-o para que pudesse enfrentar o restante da luta sozinho. Afinal, a luta é dele.
Pedi para que Deus o guardasse e livrasse de todo o mal.
Não sei se ele conseguiu.

6 comentários:

  1. Oi G. Que final de semana otimo né, vc pode cuidar do seu interior, se descobrir, agora vc sabe onde é a raiz do seu problema.

    Qto ao seu esposo, a recuperaçao depente apenas dele mesmo, vc pode estender sua mao se "ele" quizer sair das drogas e entrar em recuperaçao, realmente é depois de uma perda que eles se rendem, em algum momento na vida dele ele vai ver que precisa buscar ajuda.


    Tamujuntas ! bjs

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    1. Oi Emily... O fim de semana foi bem proveitoso mesmo. Apesar da minha tristeza com relação ao meu esposo. Mas, é o que vc disse mesmo as coisas só vão mudar quando ele entender que realmente tá precisando, e isso ele infelizmente ainda não entendeu.
      Obrigada pela visita e apoio.

      Beijos

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  2. Oi, amiga!
    Tudo bem? Espero que sim!
    Amei esta postagem e saibas que estou aqui na torcida.
    Quero dizer que, assim como o líder do seu Ministério, eu tb fui mais que usuário de drogas. Eu estive muito ligado ao tráfico das mesmas, bem como a outras práticas criminais, sendo sentenciado pela Lei dos homens, mas sendo liberto pela Lei Divina.
    Dá uma visita ao meu blog, deixando seus comentários, fortalecendo meu propósito de continuar minha programação, permanecendo limpo, um dia de cada vez.
    São pessoas como voce que me ajudam a completar, na data de hoje, meus 17 anos de Grupo.
    Continuarei voltando, pois Só Por Hoje - Funciona!!!
    Abração e bons momentos.
    TAMUJUNTU.

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    1. Oi amigo,
      Comigo está td bem sim, graças a Deus.
      Obrigada pela força, tanto por estar presente quanto por mostrar seu testemunho, dizendo que é possível sim!
      Parabéns pela sua vitória um dia de cada vez, realmente é uma benção,não há nada melhor como levar em recuperação. Como codependente quero muito chegar a minha serenidade e paz de espírito, mas, sei que isso não existe para sempre e sim SPH.
      Parabéns amigo, que Deus te abençoe muito!
      Vou te seguir lá!

      Paz e serenidade SPH!


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  3. OI lindinha. Sempre me surpreendendo com tua busca pela recuperaçao, estou gostando muito de apreciar a tua jornada. Esse negocio de rejeiçao é complicado, e ela atua na vida da maior parte das pessoas, tanto a dependencia quanto a codependencia tem muito haver com este sentimento, e tenho certeza de que encontraremos nosso ponto de equilibrio em meio as nossas imperfeiçoes. Gostei muito da sua postura, o tratou com respeito, carinho e fez atividades diferentes com ele e não ficou pesando em como ele está errado, porém não assumiu o controle da situaçao e continua deixando a porta aberta para que ele encontre a saida... Muito bom menina, parabens! =)

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  4. Oi amiga... obrigada por me acompanhar. Agora só preciso continuar trabalhando na minha recuperação, afinal é a única de minha responsabilidade. Os dias não tem sido fáceis e a situação dele não é das mais animadoras, mas, já entreguei nas mãos de Deus e larguei o controle.

    Obrigada pela presença querida, isso me fortalece.

    beijos, fique em paz

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